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O Cemitério de Bragança

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 Conta-me tuas lamurias nessa terra esquecida... Louvada pelo passado, mas que hoje não se faz actual. Ouvi dizer-te que tudo nela soa ao acaso morrido em tempos pretéritos, mas que por isso nada soa actual... mesmo tu querendo almejar as índias... nada, absolutamente nada consegues além de ser ultrapassada e indigesta aos que de teus antigos quintais vem. Coroada são suas ilhas e terras que fizeram um dia parte de suas jóias, aliás, através delas que ainda resiste viva... de alguma maneira a fazer esperança a tua gente. Amando-te sei que seja impossível de haver, mas quiçá tolerássemos uns aos outros de maneira razoavelmente sábia... não sem mácula, mas com vontade de conviver. A coroa foi-se há tempos... se de alguma maneira tu não louvasse as ruínas, conseguiria mirar suas terras como família e elas como extensão de si. Filipe Rezende de Souza. pintura do francês Jean-Baptiste Debret

O Corgo

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 Nota-me... ...sentinela do caos, a plateia toda soberba aguardando o solfejo do pranto. Iniciou o cortejo dos olhares arrependidos, mas cobertos de orgulho. Aguardo aquilo que aprendi a almejar como uma Jerusalém de conquista... tudo é aguardado, como uma nova estação que se apresenta, contudo, ficaram as pétalas que um dia foram do jardim... hoje fragmentos de um passado distante de vida... de ideias. Nota-me... Talvez o silêncio tornou-se a melhor melodia da poesia do comportamento que se fez... se fez como uma exposição silenciosa do manifesto. ...Hoje o inverno fez-se... tudo recolhe-se... concentra-se... nutre-se de energia... aguardando ela... a primavera virá, certamente!   Filipe Rezende de Souza. photo by cinept.ubi.pt

O Delta da Aorta

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  Queria poder decidir o papel de alguém que gosta de estar num cenário tocante...  ...tocante ao natural, sem mácula, retoques ou conserto, mas tudo que tem-se da vida é uma colcha de retalhes... costurados pedaço a pedaço como num grande emaranhado de frustrações, descrença e reconhecimento do inútil e inadequado. Oxalá quisera ser essa fortaleza que pus-me a parecer dentro das defesas do existir, mas as vezes submeto-me ao caos do existir e dou-me a possibilidade do tolo... do vazio... do limitado. Não vejo-me como um forte, vejo-me como um constante sobrevivente... do caos de existir num universo blasé e completamente sem a mística do renascimento após as cinzas. Extremamente soberbo e claramente evidente são os meandros do existir, mas sobretudo, viver é um ato de lucidez às avessas.  Filipe Rezende de Souza.                                             ...

Santa Sede

 Santa Sede Senti-me tão bem... Como desde as vezes que estive feliz em Terras de Vera Cruz. Era como saltasse-me a alegria em cá estar... Outrora tão inseguro, mas agora totalmente tomado pela sensação de sentir-me muito bem. Talvez reste em mim o que mais gosto... O gosto de ser completo até em terras de Pessoa, o Fernando. Filipe Rezende de Souza.

O Adônis do Dão

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Cá estou... Nesse momento as luzes se apagam como que num recolher de sensações... a espera do novo chamado amanhã... ...Pela janela os murmúrios da cidade faz-se pausadamente a ponto de por-se quase que silenciosa. Nessa hora tudo é muito mais solitário e vazio, desde quando lembro-me de tua presença acolhida em meu peito... Agora tudo cala-se e é existencial o desejo em ter-te como que num frêmito momento do agora e esse agora, para sempre. Nuvens, talvez, amanhã existam afim de decorar o céu azul escaldante...quase que ardido pelo sol... nos "talvezes" busco ancorar-te a mim e eu, enfim, encontrar a minha Vera Cruz sentimental.   Filipe Rezende de Souza photo by  evasoes.pt