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A Caixa de Safiras

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 Era uma bela manhã de um dia ensolarado dentro daquele jardim, onde a natureza era exuberante... Tal qual as folhagens de Burle Marx. A andar pelo jardim, tal qual o botânico da terra fluminense, é lá que encontro-me dentro do porto em que atraquei-me... completo de mim e para mim. O mirar de belas paisagens vejo-me capturado àquela paisagem... em um lugar que comunica-se com a brisa... as folhas...o chão de terra, delicadamente, aponta o caminho a percorrer. A caminhar noto-me da presença dela, moça leve... morena... vestida como que para debutar junto a paz... a calmaria. Os passos firmes e delicados ao mesmo tempo, diretamente a mim... Com um sorriso de olhar cristalino. Após todo o momento em que perdi-me na paisagem, ela estende as mãos... como que num aceno, a oferecer-me uma caixa de prata com a tampa cravejadas com safiras... O azul que tanto amo, fez-se mar em minhas mãos... como um ultimo presente ela deu-me o mar de possibilidades e foi-se... a navegar pelas naturezas v...

Achados do Outono

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É um dia cinza e pálido, como alguma obra de Rodin.... Entrelaço-me nos pensamentos do que fiz e que me escondo em pequenas pétalas de vidas vividas no grande pano do existir. É um existir sem plateia, apenas num monólogo existencial, onde sou abraçado por mim... incentivado por mim e encorajado por mim. Existir sozinho é desafiador, por vezes estarrecedor... mas consequência de tudo isso é um mergulho nas profundezas de minha existência, onde o voraz torna-se brisa e a calmaria se faz tempestade. Decerto não saberei a forma do existir, mas noto que ele se faz ao modo que conseguiu se encaixar nas incertezas da vida... Como as notas de uma flauta assoprada pela tempestade de se fazer viva e lúcida. A lucidez, aliás, é uma grande tristeza por permitirmo-nos a clareza das coisas.... Há a necessidade da embriaguez... da dúvida... da loucura.... Aguentar a existência é tarefa para as mentes ilúcidas, sem clareza nas respostas... Pois vive-se melhor o perguntador do que o que encontrou a re...

Os Tempos do Vento

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Aquela mesma fase da lua, como que a pedir-me a crescente nota... A dó de existir como um canto na floresta a beira do rio, é como sentir a sensação das folhas pelas brisas a serem tocadas... Mas apenas a passar por elas, como uma flexa... O sentido é o constante movimento da continuidade. Somos continuidade, por mais que as folhas do pensamento guardem a ideia da brisa, entretanto, ela esteve a passar e o que continua é a brisa... o rio... pelas folhas que deixaram de existir, volta-se pelas fases crescentes da lua... Onde o poeta diz que tudo se renova, mesmo estando às memorias... essas sementes são como árvores, que logo deitam folhas a olhar para o luar da conversa das brisas. Filipe Rezende de Souza. Fotografia ,  #MárioBarila

A Saudade do Tupinambá

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 Eu crio... Crio espaços, cortes, dores e risos Faço o que penso ser melhor, todavia, o que é o melhor? Criar é cansativo, assim como existir em meio a tantas faltas... Olhar a tudo como um contínuo buscador requer, de alguma maneira, a coragem de seguir existindo em meio a construção do que se almeja... Um castelo de desejos do querer ser e ser comigo o melhor amigo... é desafiador... as vezes dá-me preguiça de existir no caos que é tudo... Voar nunca foi o meu horizonte, meu terreno é no chão... pés no chão, mirando o caminho... quiçá seja o caminho o sentido de tudo, porque, alegoricamente, viver é cansativo, mas necessário para se observar com os pés no chão. O caos de ser de um lugar com sabiás, bem-te-vis, tucanos e uma densa mata atlântica é que tudo fora de Vera Cruz é cafona... cheira a naftalina de vó! Penso que nasci com minhas refências supremas infalíveis... fui forjado em Terra Brasilis onde tudo é rico... icônico... diverso... estranha-me a pequenês de alguns cenário...

O Cemitério de Bragança

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 Conta-me tuas lamurias nessa terra esquecida... Louvada pelo passado, mas que hoje não se faz actual. Ouvi dizer-te que tudo nela soa ao acaso morrido em tempos pretéritos, mas que por isso nada soa actual... mesmo tu querendo almejar as índias... nada, absolutamente nada consegues além de ser ultrapassada e indigesta aos que de teus antigos quintais vem. Coroada são suas ilhas e terras que fizeram um dia parte de suas jóias, aliás, através delas que ainda resiste viva... de alguma maneira a fazer esperança a tua gente. Amando-te sei que seja impossível de haver, mas quiçá tolerássemos uns aos outros de maneira razoavelmente sábia... não sem mácula, mas com vontade de conviver. A coroa foi-se há tempos... se de alguma maneira tu não louvasse as ruínas, conseguiria mirar suas terras como família e elas como extensão de si. Filipe Rezende de Souza. pintura do francês Jean-Baptiste Debret

O Corgo

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 Nota-me... ...sentinela do caos, a plateia toda soberba aguardando o solfejo do pranto. Iniciou o cortejo dos olhares arrependidos, mas cobertos de orgulho. Aguardo aquilo que aprendi a almejar como uma Jerusalém de conquista... tudo é aguardado, como uma nova estação que se apresenta, contudo, ficaram as pétalas que um dia foram do jardim... hoje fragmentos de um passado distante de vida... de ideias. Nota-me... Talvez o silêncio tornou-se a melhor melodia da poesia do comportamento que se fez... se fez como uma exposição silenciosa do manifesto. ...Hoje o inverno fez-se... tudo recolhe-se... concentra-se... nutre-se de energia... aguardando ela... a primavera virá, certamente!   Filipe Rezende de Souza. photo by cinept.ubi.pt

O Delta da Aorta

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  Queria poder decidir o papel de alguém que gosta de estar num cenário tocante...  ...tocante ao natural, sem mácula, retoques ou conserto, mas tudo que tem-se da vida é uma colcha de retalhes... costurados pedaço a pedaço como num grande emaranhado de frustrações, descrença e reconhecimento do inútil e inadequado. Oxalá quisera ser essa fortaleza que pus-me a parecer dentro das defesas do existir, mas as vezes submeto-me ao caos do existir e dou-me a possibilidade do tolo... do vazio... do limitado. Não vejo-me como um forte, vejo-me como um constante sobrevivente... do caos de existir num universo blasé e completamente sem a mística do renascimento após as cinzas. Extremamente soberbo e claramente evidente são os meandros do existir, mas sobretudo, viver é um ato de lucidez às avessas.  Filipe Rezende de Souza.                                             ...