Augustine e a Saudade
Lembrança nostálgica suave de uma pessoa.. Suavidade densa..
Tudo o que ele queria era que a segunda-feira não existisse com a sua suavidade nostálgica, que ele mesmo, Augustine, tanto sente.. Se sente impotente em não poder mudar, naquele momento, o curso do segundo dia da semana. Sabe que num pensamento distante, Augustine reflete e pensa que as constantes mensagens trocadas, graças a tecnologia, podem amenizar tal sentimento de saudosista.. Ledo engano!.. Como uma overdose, a dose homeopática de contato, serve para viciá-lo cada vez mais..e mais.. e mais.. Ao ponto dele pensar que seria tão insuportável a vida longe de quem faz de Augustine um ser saudosista... denso.. pequeno.. Mas consistente e valente, paradoxalmente!
Augustine Talvez perceba que a saudade tenha seu lado revigorante, mas nesse momento ele está muito ocupado com o embargo de sua voz e um nó capaz de fazê-lo perder o seu ar confortável de noção de controle.. Mas Augustine é tarefa densa e complexa, capaz de complicar a matemática do óbvio!
Certa vez, Augustine sonhou que um dia tivesse como unir a felicidade com uma vida solitária de realizações.. Mas com o passar do tempo se viu perdido nas mazelas de suas vontades que refletiam a felicidade ao contrário, numa buscar fugitiva pela independência individualista, mas ele sempre preferiu Chaplin ao invés de Nietzsche.. O ar de romantismo, mais do que nunca, agora permeia o coração de Augustine.
Augustine pode ser definido por alguns como: fraco, tendencioso, previsível, imaturo..
.. Mas em se tratando de amando, Augustine é corajoso!
A previsibilidade do amor é algo imprevisível (perdoe-me o trocadilho!), pois assim como as digitais, sabemos que existem, mas não sabemos contar as linhas que se formam as digitais..tampouco a igualdade destas.
Augustine desabafa de modo a saber que o fato de amar, enquanto amado, a distância será o seu maior obstáculo num dia semanal.. ou em vários, posto que a saudade faz de Augustine um gladiador sem armadura.
Augustine sabe que os deuses do Olimpo, até eles, sentiram as suas armaduras postas ao chão quando o sentimento que fez Afrodite ser consagrada como deusa o tocaram.. Tal sentimento os puseram a ser humanos ante a antiga postura de deuses.. Definitivamente, Augustine ver no amor a sua humanidade mais divinal que faz de qualquer, um humano como ele é!
Augustine, lembrou a pouco, que pode o fato de ser a saúde uma ramificação da saudade.. Sendo assim, pode-se saudar a saúde da saudade?.. Augustine acredita que sim!
O amor se conecta em Augustine no contato com o ser amado, numa troca mútua de sentimentos possíveis que de tão necessário, o faz dependente e assertivo.. deuses e semideuses não vivem isolados, precisam de mutualidade, e Augustine sabendo, resolveu trocar a velha armadura por uma luneta.. avista ao longe de tão perto coisas que o futuro descortina aos mutualistas românticos destemidos.. Os mesmos que fizeram do olimpo um lugar repleto de sentimentos humanos e de total fragilidade que, inclusive, é inerente ao homem.
Falando de início, Augustine disse sobre a saudade, mas precisaria Augustine dissertar um texto tão complexo para falar de saudade associada ao fato de amar e ser amado? Digo que sim! O amor nunca é simples ao ponto de se resumir ao mínimo e tampouco é inacessível ao se significar num testamento de regras, leis e condutas.. Ele pode existir num espaço de um alfinete, ou no coração de uma baleia.. Ele (o amor) precisa apenas de local para dissertar o fato de existir.. E Augustine soube que no quesito de amar, a saudade é a forma mais densa em fazer do egoísmo umas das raízes do ato de amar.. E Augustine é egoísta ao ponto de querer toda a saudade para ele, e não compartilhá-la com ninguém.. apenas exterminá-la a cada encontro.. pois ele sabe que a saudade é um mutante que renasce a cada ausência de maneira nova e desafiadora.
Força, Augustine!
O sentimento de Augustine, de tão conhecido chega a soar faltoso em alguns cenários.. Augustine se faz de sabedor e o guarda no espaço destinado a aquilo que faz de Augustine o melhor que ele pode ser.. É Augustine nesse momento e daqui a outros momentos, feliz!
Por Filipe Rezende.

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