Reflexão do Existir II

Numa dessas festas do meu consciente apareci com tanga de miçanga para ver se me olhava melhor com teus olhos de lince,
mas de tudo que notei foi que a resposta obtida era como oca... como vazia num pensamento vasto de longo alcance.
Embrulhei-me num tecido de linho... o mais nobre, no afã de catalisar tua atenção ao meu próprio querer, mas aí de costume a vida tornara longínqua toda a sobriedade literária do possível...
Como atendi ao sossego da busca, como um lobo cansado da busca, tornei-me a cochilar... achei que ao menos em sonho seria mais possível te alcançar com meus dedos (ao menos), mas dessa vez chegou o vento com um punhado de folhas que se decaíram repentinamente em meu rosto... acordei-me assustado e consciente que a razão tem suas razões para retardar uma vontade pulsante... Bem, mas de tudo não perdi a certeza que o querer é bem maior do que de fato aconteceu, nisso passei o tempo e ganhei pela certeza de que ele terá sempre que lutar para me convencer que o esquecimento pode ser uma possibilidade... Mas pode tornar-se na presença do desejo mais aguardado, como numa grande ponte, onde tirar um lado perderá todo o sentido de existência.
Eu, certamente, confundo-me com a clareza de um dia cinzento e tempestuoso, não por fora, mas dentro de mim... buscando o traço de calmaria, mesmo que não exista de fato e que seja apenas uma cadeira de consciência em meio a tanta coisa...
...Eu, controlador de meu próprio barco celebro a falta de riso... a falta de abraço e tudo mais de que se é esquecido por fatos de minha própria mazela que é sentir e não poder ter... Mas sobretudo querer o que leva tempo... Ah... esse é cruel dentro de toda sabedora!

Filipe Rezende de Souza.


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