O Cais de Mausoléu
Passei pela noite e tudo está como daquela vez em que cheguei, coração atracado no cais do deserto dos sentidos.
Pular a cerca dos meus sentidos, mesmo os mais exaustivos, todos eles adormeceram no árido cais de minhas sensações... Sinto-me um andarilho com pés escaldantes e boca sedenta de novos sentidos.
Talvez se de tudo houvesse na vela de meu barco fatores existenciais... ventanias do sentido, talvez assim, velejaria até a ilha que ancoram minhas sensações de busca... de processo de existir como algo que jamais é pensado separado... como os gomos da tangerina suculenta.
Parei dentro de mim como atracado no cais da solidão do meu riso e não sei se posso sentir tudo que eu preciso para encantar meus noturnos desejos, contudo, espelho-me no horizonte da fuga pois lá serve o banquete de um dia, sem o sentido de permanência nessa ilha esquecida até pelos deuses.
O barco parado ali e eu mergulhado na gávea como um marujo destroçado pelo movimento da gaivota que, ironicamente, voa com toda sua liberdade de existir. Todavia, eu ali... deitado na gávea do barco... com as asas de meus pensamentos conseguindo voar mais alto do que a gaivota... voo tão alto que me percebo pequeno em meus sentidos mais profundos, pois agora o milagre é voltar a existir grande, no barco de meus quereres. Tudo parece funcionar, mas nem tudo existe enquanto atracado nesse cais sombrio... esquizofrênico à alma de qualquer coisa existida no enfeite da paisagem morrida desse lugar de passagem.
Saber tudo isso coroa-me com pedras pontiagudas iguais as da coroa de um messias, onde para ser rei precisa doar-se com a desconstrução de si, numa procura de ideias e sentidos que só constroem a memória litúrgica de esperançar o que se busca, mas que na verdade, de toda utopia, encontra-se a velha forma arcaica de viver mais do mesmo e nascer das entranhas do fetiche do belo... da conquista e da natureza que sangra.
Filipe Rezende de Souza
Pular a cerca dos meus sentidos, mesmo os mais exaustivos, todos eles adormeceram no árido cais de minhas sensações... Sinto-me um andarilho com pés escaldantes e boca sedenta de novos sentidos.
Talvez se de tudo houvesse na vela de meu barco fatores existenciais... ventanias do sentido, talvez assim, velejaria até a ilha que ancoram minhas sensações de busca... de processo de existir como algo que jamais é pensado separado... como os gomos da tangerina suculenta.
Parei dentro de mim como atracado no cais da solidão do meu riso e não sei se posso sentir tudo que eu preciso para encantar meus noturnos desejos, contudo, espelho-me no horizonte da fuga pois lá serve o banquete de um dia, sem o sentido de permanência nessa ilha esquecida até pelos deuses.
O barco parado ali e eu mergulhado na gávea como um marujo destroçado pelo movimento da gaivota que, ironicamente, voa com toda sua liberdade de existir. Todavia, eu ali... deitado na gávea do barco... com as asas de meus pensamentos conseguindo voar mais alto do que a gaivota... voo tão alto que me percebo pequeno em meus sentidos mais profundos, pois agora o milagre é voltar a existir grande, no barco de meus quereres. Tudo parece funcionar, mas nem tudo existe enquanto atracado nesse cais sombrio... esquizofrênico à alma de qualquer coisa existida no enfeite da paisagem morrida desse lugar de passagem.
Saber tudo isso coroa-me com pedras pontiagudas iguais as da coroa de um messias, onde para ser rei precisa doar-se com a desconstrução de si, numa procura de ideias e sentidos que só constroem a memória litúrgica de esperançar o que se busca, mas que na verdade, de toda utopia, encontra-se a velha forma arcaica de viver mais do mesmo e nascer das entranhas do fetiche do belo... da conquista e da natureza que sangra.
Filipe Rezende de Souza
photo by internet.

Comentários
Postar um comentário