Relato na Sala de Máquinas
Perco de vez o meu lado lúdico, não fosse a doçura das uvas à volta...
Por vezes pego-me a pensar com quantos olhares se faz a alegria do dia... dia por vezes cansativo pelo barulho de máquinas sem qualquer sentimento ao silêncio.
Reflito por vezes perguntando-me quando e onde encontrar-me nesse ambiente impessoal e arrogante...
...Saudade tenho da sala de casa, com paredes e músicas de memórias ...que me transportavam ao mais íntimo de mim... como um grande riacho onde a foz deságua na imensidão de meu apego chamado coração.
Ouvir a sonora melodia de tantas pautas brasileiras, poe-me a pensar que melhor do que estar vivo é pensar o carinho das palavras aos ouvidos... Que som tenebroso dessas máquinas!... tira-me a poesia!
Mergulho cada vez mais dentro de mim, na busca da melodia perdida ou quem sabe, do olhar maroto de quando cobiçamos algo pela primeira vez. Mergulho dentro de meu peito... Céus, quão profundo é!
...as vezes falta-me oxigênio ao término do pensamento... essa faze hei de passar pelo meu bem, mas dói existir no caminho... ele é tão tortuoso e difícil que, confesso, me canso... mas loucamente ponho-me a interpretar o invencível... que luta, diz que pode e, estranhamente, vence.
Filipe Rezende de Souza.
(escrito na cidade de Bento Gonçalves em 20.01.2020)
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