Inflexão do Existir I

Produzo, produzi, produzirei, produziremos... Produção, apenas isso! Apenas tudo isso!

Mãos, pés, mentes... tudo, absolutamente tudo, é produzir... Não importa para quê ou por quê, o importante é produzir por produzir.
O humano objetificou-se como máquinas, máquinas produtoras de produzir... Sem notar-se, apenas produz... Vamos produzir a dor, a lamúria do existir, o esforço, a imaterialmente natural maneira de produzir.
Corpos enfileirados num ambiente sombrio chamado de fábrica, de escritório... Tudo produzindo o mais sombrio e avassalador jeito de existir... Bem, isso não importa, produza!
Produzir... produzir... produzir... Apenas isso, pelo cansativo e decadente modo de vê-se útil... qualificado... graduado em produção de passageiras memórias que, pondo escritas, tem-se a alusão do eterno sentido da vida, mas que no próximo momento tornar-se-á passado... então produza! Produza! Produza! Lorde do escambo plebeu, produza sua seiva de exaustão social!

...e quando tudo estiver produzido, você será apenas um passado da vida que nunca mais produzirá além de lembranças na infinidade do existir.

Filipe Rezende de Souza.


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